Cinema

A Vila

A Vila
Título original: The Village
Ano: 2004
País: Estados Unidos
Duração: 108 min.
Gênero: Suspense
Diretor: M. Night Shyamalan (A Dama na Água, Fim dos Tempos, O Último Mestre do Ar)
Trilha Sonora: James Newton Howard (Colateral, A Intérprete, Batman Begins)
Elenco: Joaquin Phoenix, Bryce Dallas Howard, Adrien Brody, William Hurt, Sigourney Weaver, Brendan Gleeson, Cherry Jones, Celia Weston, John Christopher Jones, Frank Collison, Jayne Atkinson, Judy Greer, Fran Kranz, Michael Pitt, Jesse Eisenberg, Charlie Hofheimer, Scott Sowers
Distribuidora do DVD: Buena Vista
Avaliação: 10/10

Revisto em DVD em 13-JUN-2007, Quarta-feira

Uau! O que uma revisão não é capaz de fazer num filme que já era ótimo!

A Vila é um espetáculo não só belíssimo e intrincadamente provocante, como também uma confluência raramente vista de metáforas sobre inúmeros aspectos do que a civilização atual tem de pior e de melhor. Para Shyamalan, a preservação da inocência é deturpada até seu limite dentro do conto obscuro sobre as criaturas escarlates que oprimem os habitantes de um vilarejo encravado na floresta. A sutileza avassaladora da técnica espetacular, da fotografia e do desempenho do elenco faz o filme transcender o gênero no qual se insere, e marca um dos trabalhos mais fascinantes que o cinema foi capaz de entregar nos últimos anos.

A seção de extras do DVD vem com um making-of de 25 minutos, 10 minutos de cenas excluídas devidamente comentadas por M. Night Shyamalan, um diário narrado por Bryce Dallas Howard com 4 minutos de duração, galeira de fotos e um filme caseiro feito pelo diretor em sua adolescência, em que ele já declarava toda sua admiração por Steven Spielberg e Indiana Jones.

Texto postado por Kollision em 5/Setembro/2004 –

Muito já foi dito acerca do diretor indiano M. Night Shyamalan desde o estrondoso sucesso de O Sexto Sentido, filme que de certa forma redefiniu o gênero do horror por alguns anos após seu lançamento. Defensores ferrenhos atestam que ele é um novo Steven Spielberg, enquanto outros simplesmente desprezam os trabalhos seguintes do diretor, notadamente o lento mas estiloso Corpo Fechado e a ficção religiosa Sinais. No entanto, de uma coisa é possível ter certeza. Shyamalan é um exímio contador de histórias e, mesmo que ele tenha perdido um pouco do toque genial em seus últimos trabalhos, seus filmes ainda se mantêm interessantes o suficiente para se destacar da enxurrada de blockbusters e caça-níqueis despejada nos cinemas ianques todos os anos.

A Vila trata de um enigma, partindo de uma premissa inicialmente absurda para os tempos atuais. Os habitantes de um vilarejo (a vila do título) encravado numa floresta vivem isolados do mundo exterior, pois ninguém pode cruzar a fronteira do bosque que cerca o lugar. Há anos foi firmado uma espécie de pacto com os estranhos seres que vivem na mata, e nenhum humano pode se aventurar bosque adentro ou coisas terríveis podem acontecer. Quando alguns animais começam a aparecer esfolados e marcas vermelhas amanhecem nas portas das casas de todos, fica evidente que a paz com os habitantes da floresta foi de alguma forma perturbada. O jovem Lucius (Joaquin Phoenix) é o único com coragem para atravessar o bosque em busca de remédios para seu povo, mas ele é contido pelos habitantes mais velhos.

Não é possível dizer mais nada sobre a trama. Assim como nos primeiros filmes de Shyamalan, o roteiro contém um elemento surpresa que dá sustentação à história. Este elemento, neste filme, soa bastante coerente, e não decepciona. Há momentos de suspense bem construídos, com sustos genuínos e sem nada de gratuitos. Joaquin Phoenix mantém a mesma postura contida e introspectiva de quase todos seus filmes anteriores, e quem se sobressai com isso é Bryce Dallas Howard, como a cega por quem Lucius nutre uma grande paixão. Muito da sensação de pânico suscitada no filme deve-se à sua excelente performance, aparte a capacidade do diretor de criar um clima absurdo de suspense.

Seguindo os passos de Alfred Hitchcock, seu ídolo declarado, Shyamalan também aparece numa pequena ponta perto do final do filme, a exemplo de suas obras anteriores. No geral, A Vila não decepciona nem um pouco, e serve para calar a boca de quem considerava Shyamalan diretor de um filme só. É superior a Sinais em todos os aspectos, e possui uma narrativa até mais eficiente que Corpo Fechado. Ainda que o segredo por trás de toda a trama seja entregue um pouco antes do final, o interesse se mantém o mesmo até o momento em que os habitantes da vila decidem ou não se devem continuar com o segredo, e os créditos começam a subir.