Cinema

A Casa de Cera

A Casa de Cera
Título original: House of Wax
Ano: 2005
País: Austrália, Estados Unidos
Duração: 113 min.
Gênero: Terror
Diretor: Jaume Collet-Serra (Gol! 2, A Órfã, Desconhecido)
Trilha Sonora: John Ottman (Beijos e Tiros, Quarteto Fantástico [2005], Superman - O Retorno)
Elenco: Elisha Cuthbert, Chad Michael Murray, Brian Van Holt, Jared Padalecki, Paris Hilton, Jon Abrahams, Robert Ri'chard, Dragicia Debert, Thomas Adamson, Murray Smith, Sam Harkess, Damon Herriman, Andy Anderson
Avaliação: 8

Quando Joel Silver e Robert Zemeckis fundaram a produtora Dark Castle Entertainment, no final dos anos 90, uma boa expectativa foi criada em torno dos frutos da nova empreitada, que tinha a missão inicial de realizar remakes de clássicos do terror realizados pelo diretor William Castle. A expectativa não foi cumprida à altura, e a maioria das obras entregues pela Dark Castle demonstrou não passar de bobagem descartável. Afinal, A Casa da Colina, 13 Fantasmas, Navio Fantasma e Na Companhia do Medo estão longe de serem unanimidade entre a comunidade cinéfila. Parecia que o destino de Zemeckis e Silver em sua parceria estava selado, e era evidente que ninguém esperava muita coisa de qualquer pastiche que a Dark Castle lançasse nos cinemas. A Casa de Cera é o mais recente deles, mas aqui há algo de diferente. Além de quebrar a seqüência de filmes mornos, a obra atesta o amadurecimento da produtora com um espetáculo que empolga e não ofende a inteligência da platéia.

A Casa de Cera é uma refilmagem livre de Museu de Cera (André de Toth, 1953), que por sua vez originou-se de Os Crimes do Museu (Michael Curtiz, 1933). Nesta nova versão (que se assemelha bastante ao recente O Massacre da Serra Elétrica, tanto na ambientação quanto na ousadia), um grupo de adolescentes em meio a uma viagem de fim-de-semana acaba ficando preso numa cidadezinha erma do oeste dos Estados Unidos. Deserta e nada acolhedora, a cidade tem como principal atrativo um antigo museu onde tudo, desde as estátuas perfeitas das pessoas aos móveis de decoração, é feito de cera. A líder da turma Carly (Elisha Cuthbert, de Show de Vizinha) é a primeira a perceber que há algo muito errado no lugar, principalmente quando o único forasteiro que cruza o seu caminho (Brian Van Holt) está por perto.

Interessante notar que uma das atrizes coadjuvantes foi a principal responsável pela divulgação do filme. Afinal, Paris Hilton foi o único membro do elenco que não teve que fazer nenhum teste de cena, sendo desde o início a única escolha para o papel de Paige. Famosa modelo e arroz-de-festa, seu desempenho na tela está bem aquém daquele que ela demonstra na vida real. O trecho em que ela é perseguida pelo assassino é um dos pontos baixos do filme, mas pelo menos ele é redimido pela eventual morte da garota, um momento que lembra com bastante nostalgia clássicos do terror da década de 80 do porte de Sexta-Feira 13.

Ainda bem que Paris não tem lá muita participação cênica. Além de colocar a moçoila em seu devido lugar, o filme tem como principal mérito o estabelecimento de uma ótima atmosfera em torno da tal casa de cera. Destoando da maior parte dos filmes adolescentes que chegam às telas, outra grande sacada do roteiro são algumas decisões interessantes tomadas e a construção dos personagens principais, que é feita de forma eficiente e potencializa positivamente toda a violência que explode durante o desenvolvimento da história. Wade (Jared Padalecki), o namorado de Carly, é um cara tão legal que é bem possível sentir pena do personagem e de seu horrendo destino nas mãos do psicopata que controla a cidade.

Mesmo que a história seja manchada por coisas bobas, como a rapidez com que a personagem de Elisha Cuthbert divisa as intenções de seu algoz ou o gancho infame para uma provável continuação do filme, há mais algumas coisas interessantes em A Casa de Cera, referências evocadas ao longo da projeção que ajudam a dar consistência ao conceito simples da história sobre o museu amaldiçoado. Existe o paralelo entre o relacionamento dos irmãos protagonistas (Carly e Nick, feito por Chad Michael Murray) e a simbiose doentia dos assassinos. E a sensação de subir uma escada de cera que está derretendo remete imediatamente aos piores pesadelos febris que alguém pode experimentar... Quem nunca sonhou com algo parecido?

Texto postado por Kollision em 11/Junho/2005