Cinema

Mulher-Gato

Mulher-Gato
Título original: Catwoman
Ano: 2004
País: Estados Unidos
Duração: 104 min.
Gênero: Ação/Aventura
Diretor: Pitof
Trilha Sonora: Klaus Badelt (Constantine, A Promessa [2005], 16 Quadras)
Elenco: Halle Berry, Benjamin Bratt, Sharon Stone, Lambert Wilson, Frances Conroy, Alex Borstein, Michael Massee, Byron Mann, Kim Smith, Christopher Heyerdahl, Peter Wingfield, Berend McKenzie, Chase Nelson-Murray, Manny Petruzzelli, Harley Reiner, Ona Grauer, Landy Cannon, Judith Maxie, Michael Daingerfield, Benita Ha
Avaliação: 4

Na história recente do cinema-pipoca, que é aquele que entrega sempre o tipo de filme feito para agradar as massas, com conteúdo reflexivo na maioria das vezes zero e cujo único propósito é entreter, nenhum filme foi tão criticado, bombardeado e esculhambado antes de sua estréia como Mulher-Gato. Desde as aparições das primeiras fotos da anti-heroína, parecia que o projeto estava destinado a ser uma bomba de efeito imensurável, como só uma bomba como Batman & Robin foi capaz de ser. No entanto, contra tudo e contra todos, a oscarizada Halle Berry (a Tempestade da franquia X-Men) decidiu assumir um papel que corria sério motivo de se tornar piada entre os amantes do cinema, afundando sua carreira não muito gloriosa após a consagração com o drama A Última Ceia.

Em comum com a personagem coadjuvante das histórias do Batman, Mulher-Gato só tem mesmo o nome da heroína. O enredo não se passa em Gotham City, ela não se chama Selina Kyle, e sim Patience Philips, e nada, absolutamente nada, remete às HQs da DC. Patience é mais uma mulher reprimida que trabalha como designer para uma grande empresa de cosméticos chefiada por um crápula (Lambert Wilson, o Merovingian de Matrix) e sua esposa (Sharon Stone, voltando às telas depois de um hiato de alguns anos). Ela acidentalmente acaba sendo testemunha dos planos maquiavélicos da companhia de lançar uma nova linha de produtos que colocará em risco a vida de seus usuários, e tem sua sentença de morte assinada. Patience morre de fato, mas é a seguir ressuscitada por um estranho gato que a vinha observando, e a partir daí começa a notar mudanças drásticas em seu comportamento e reflexos.

A gênese da personagem chega a ser interessante, com toda a mitologia dos gatos através dos tempos e a eventual explicação para os poderes da moça. A estrutura linear da história segue em frente com a entrada de um policial ingênuo (Benjamin Bratt) e a vingança de Patience contra seus empregadores. Quando ela coloca seu insinuante colante de couro, o filme perde a pouca identidade que tinha sido capaz de demonstrar para tornar-se palco de um desfile de efeitos digitais e lutas extremamente mal-editadas (ao estilo de outro exemplo equivocado do gênero, Demolidor - O Homem Sem Medo), que mantêm um clima morno de dar dó até o final da fita, conduzido ao estilo de uma HQ completamente desprovida de inspiração.

Talvez uma das intenções dos criadores do filme tenha sido reapresentar a personagem com uma carga maior de sensualidade que aquela mostrada por Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno (que já era sensual o suficiente, diga-se de passagem). É verdade que, da cintura para cima, Halle Berry está sempre à mostra, mas isso é o máximo que os marmanjos libidinosos poderão curtir da moça. Sharon Stone, contida em seu papel de quarentona, apenas em raros momentos deixa transparecer a beleza de outrora.

Enfim, Mulher-Gato é fraco, mas não é tão ruim quanto todos alardearam e temiam. É melhor, por exemplo, que Demolidor. Com certeza o filme fere os sentimentos dos fãs do universo de Batman, mas isso não faz nenhuma diferença para quem não sabe patavina de Bruce Wayne e associados.

Texto postado por Kollision em 17/Agosto/2004