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Faith No More - Espaço das Américas, São Paulo, 24-SET-2015

No último dia 24 de Setembro, Quinta-feira, o Faith No More esteve em São Paulo para um show no Espaço das Américas, evento ao qual este felizardo escriba compareceu.

Somente para situar os leitores que não são muito familiarizados com a história recente da banda, o show fez parte da turnê de divulgação do álbum Sol Invictus, lançado em Maio deste ano, e serviu como aperitivo para a apresentação que eles fariam no dia seguinte no palco principal do Rock in Rio. Sim, aquele show que já está eternamente marcado pelo tombo de Mike Patton ao executar um mosh mal calculado logo no início da apresentação.

Ao contrário da recepção morna do público no show do Rock in Rio, que a meu ver não mudaria em nada mesmo se o já famoso tombo não tivesse acontecido, o show de São Paulo foi fantástico, principalmente pelo fato de ter sido em menor escala e contar com uma audiência de verdadeiros fãs da banda. O Espaço das Américas lotou, pelo menos foi o que deu para perceber de onde eu estava próximo ao palco (entre o Jon Hudson e o Mike Bordin). Achei a estrutura do Espaço das Américas muito boa, com um ar-condicionado que funcionou muito bem até o momento do início do show propriamente dito. Ali no centro da ação e no palco ficou claro que o calor imperava, suor escorrendo da testa de todo mundo.

Faith No More no Espaço das Américas, 2015
Concentração antes do show

Quem escalou a banda de esquenta para abrir o evento foi o próprio Faith No More, já que os chilenos do Como Asesinar a Felipes (ou CAF para os íntimos) são apadrinhados da Koolarrow Records, gravadora comandada pelo baixista Billy Gould. É um som que mistura muita eletrônica com pontadas de rock e letras políticas, sendo a característica mais incomum o fato da banda não ter guitarrista. A força do som está no baixo, nos teclados e no traquejo do DJ fazendo os scratches. Na minha opinião o trabalho dos caras é bacana e original, mas deles deveriam tirar o vocalista ou contratar um vocalista com mais potência vocal. Ou talvez seja só a minha percepção de que rock em espanhol não funfa, sei lá...

Faith No More no Espaço das Américas, 2015
Preparação do palco, com as indefectíveis flores que são marca registrada da turnê atual

O set list escolhido pelo Faith No More para o show no Espaço das Américas foi esse:

  1. Motherfucker
  2. Land of Sunshine
  3. Caffeine
  4. Everything's Ruined
  5. Evidence
  6. Epic
  7. Sunny Side Up
  8. Midlife Crisis
  9. Chinese Arithmetic
  10. The Gentle Art of Making Enemies
  11. Easy
  12. Separation Anxiety
  13. Matador
  14. Ashes to Ashes
  15. Superhero
  16. The Crab Song
  17. From Out of Nowhere
  18. I Started a Joke

Abrir o show com Motherfucker já era esperado, e a faixa funciona muito bem para estabelecer o clima. As três músicas seguintes fizeram a alegria dos fãs do disco Angel Dust, em especial Everything's Ruined, que por muito tempo permaneceu exclusiva de estúdio e só recentemente começou a ser tocada ao vivo. Seguiram-se vários medalhões de outros álbuns, entremeados a mais quatro faixas do disco novo. Presenciá-las ao vivo foi fantástico, mas ficou muito claro que a única que tem potencial para se tornar clássica num curto espaço de tempo é a fenomenal Superhero. Matador é outra grande música com potencial de estádio, mas eu trocaria Sunny Side Up e Separation Anxiety facilmente por Black Friday e Rise of the Fall, definitivamente as duas faixas mais estranhas e ao mesmo tempo mais bacanas de Sol Invictus.

Completamente inesperada para muitos foi a inclusão de duas músicas de Introduce Yourself, e nenhuma delas usual para os padrões atuais da banda. Talvez Chinese Arithmetic, mas não a longa The Crab Song, que mesmo sem ser muito conhecida por muitos levantou a galera graças aos riffs de guitarra de outros tempos e às linhas de rap da letra. O hino We Care a Lot ficou de fora, mas a inclusão de From Out of Nowhere no encerramento mais que compensou esse pequeno "deslize". Pedimos We Care a Lot em uníssono, mas fomos sumariamente ignorados.

E eu admito que, para alguém que não gosta de I Started a Joke, a performance de Mike Patton nessa música me impressionou. Quase uma hora e meia de gritaria e a garganta do cara ainda estava impecável. Eu reparei, por exemplo, que ele absolutamente não quebrou a vocalização da linha "RIDE IT ALL THE WAY" ao final de Sunny Side Up (entendedores entenderão). Outras que eu gostaria de ter ouvido? Stripsearch, Cuckoo for Caca, Collision, Falling to Pieces, Jizzlobber, Hippie Jam Song, The Perfect Crime. Talvez algum dia, quem sabe?


Do trecho intermediário de Midlife Crisis, com direito à tradicional cover inesperada, à nova Superhero
Cortesia do usuário do YouTube musicasempreetodahora

Enfim, um show carregado de muita energia, dava pra ver na cara dos caras que eles estão felizes de estar de volta e fazendo sucesso novamente. Fica a expectativa para o lançamento de mais um álbum no futuro, já que algumas declarações apontam para a existência de muito material que ficou de fora de Sol Invictus.

Aos que foram ao Rock in Rio para ver a banda, minhas condolências. Vocês deveriam ter sido mais espertos e ido a São Paulo!

Texto postado por Edward em 3 de Outubro de 2015

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