Cinema

Eu, Robô

Eu, Robô
Título original: I, Robot
Ano: 2004
País: Estados Unidos
Duração: 110 min.
Gênero: Ficção Científica
Diretor: Alex Proyas (Presságio, Deuses do Egito)
Trilha Sonora: Marco Beltrami (O Voo da Fênix, Amaldiçoados, Triplo X 2 - Estado de Emergência)
Elenco: Will Smith, Bridget Moynahan, Bruce Greenwood, Alan Tudyk, James Cromwell, Adrian Ricard, Chi McBride, Jerry Wasserman, Fiona Hogan, Peter Shinkoda, Terry Chen, David Haysom, Scott Heindl, Sharon Wilkins, Craig March
Avaliação: 8

Eu, Robô foi baseado num livro de contos de Isaac Asimov, um dos papas da ficção científica do século XX, e isso já é motivo mais do que suficiente para garantir uma história, no mínimo, interessante. O diretor Alex Proyas, que já engendrou trabalhos competentes como O Corvo e Cidade das Sombras, encara aqui sua primeira superprodução, recheada de efeitos especiais e lançada na concorridíssima temporada do verão americano. Uma aposta inusitada, cujo resultado agrada e não faz feio se comparado a tantos outros filmes já lançados sobre o assunto.

No ano 2035, os robôs já são parte da realidade humana, uma vez que estão espalhados por todo o mundo e são plenamente aceitos dentro da sociedade como itens tecnológicos tão essenciais quanto uma televisão ou um forno microondas. Na cidade de Chicago, um policial (Will Smith) que não concorda com esta visão benevolente sobre o avanço das máquinas (pelo contrário, nutre uma antipatia paranóica contra os robôs), é chamado para investigar o estranho caso do suicídio de um grande figurão (James Cromwell) da empresa que cria os autômatos. O cara é nada mais, nada menos, que o criador de todos os seres robóticos. A investigação de Smith leva a crer que um robô na verdade pode ter cometido o crime, o que vai contra as três leis da robótica, que resumidamente são a garantia de que um robô em circunstância alguma pode ferir um ser humano. Ajudado por uma bela psicóloga e especialista em robótica (Bridget Moynahan), ele terá que descobrir o que de fato está por trás não só do assassinato, mas também da estratégia da empresa com relação à nova geração de robôs distribuída recentemente à população.

Com um visual extremamente parecido com Minority Report - A Nova Lei (principalmente o design da metrópole e o deslizar dos carros nas vias expressas do futuro), Eu, Robô é um bom filme de ficção científica que parte de uma premissa instigante. Os efeitos especiais, que sempre correm o risco de dominar completamente uma produção deste porte e transformá-la num pastiche digno de um jogo de vídeo-game anabolizado, são discretos e adequados, sobressaindo-se nas cenas de ação. Algumas pessoas notarão reminiscências a Guerra nas Estrelas (o aspecto dos robôs e sua proximidade à figura de C3PO) e Animatrix (quase impossível, ao final do filme, não associá-lo à dominação das máquinas mostrada no primeiro curta da coletânea baseada no universo criado pelos irmãos Wachowski).

Embora não haja aqui uma aura exacerbada de arte (como em 2001 ou em Blade Runner) ou de realização plástica (Matrix), o filme cumpre a tarefa de entreter e ao mesmo tempo lança ao ar uma questão polêmica: até que ponto podemos contar com a tecnologia e seus frutos para facilitar nossa vida, ou mesmo comandar o seu próprio desenvolvimento? Tirando passagens desnecessárias que não merecem comentários, como a abertura mostrando Smith seminu em seu quarto, o desenvolvimento do roteiro é correto porém um pouco nebuloso em seu trecho intermediário (afinal, o executivo de Bruce Greenwood ordena ou não o ataque a Will Smith dentro do túnel?). E é justo dizer que o robô Sonny, julgado pelo assassinato de seu criador, talvez tenha a melhor interpretação de toda a película. Vale lembrar que a tecnologia usada para desenvolvê-lo foi a mesma do personagem Gollum, a criatura digital da trilogia O Senhor dos Anéis.

Texto postado por Kollision em 15/Agosto/2004