
Visto via Netflix em 10-ABR-2026, Sexta-feira
Não demora a ficar claro para qualquer pessoa que O Poço é em sua essência uma cruel metáfora crítica acerca da disputa de classes, em qualquer esfera que se queira analisar o filme. O longa ganhou notoriedade pelo modo como aborda o tema, numa interessante variação do que havia sido mostrado no seminal Expresso do Amanhã. Um homem sem memória (Iván Massagué) acorda numa sala quadrada com um buraco ao centro, identificada com o número 48, na companhia de um senhor que está ali há algum tempo (Zorion Eguileor). Aos poucos ele vai aprendendo como o lugar funciona, uma espécie de prisão onde a comida vai descendo de elevador piso após piso. Aqueles que se encontram no topo se empanturram como podem, enquanto os que estão nos últimos andares ficam com os restos e passam fome. Não se pode guardar comida senão consequências graves ocorrem, e periodicamente os prisioneiros são alocados em diferentes andares de maneira aparentemente aleatória. A alegoria visual e estilística é um grande contraste com o minimalismo distópico do filme, que aos poucos vai adicionando personagens e situações que levam todos ao limite enquanto a mensagem central vai sendo destilada numa série de abstrações e enfrentamentos filosóficos.
O sucesso de público e crítica resultou na produção da continuação O Poço 2, lançada cinco anos depois.