
Visto via Netflix em 19-JUL-2026, Domingo
Vozes e Vultos é um filme elegante, ainda que carente de identidade em certos momentos. Começa como uma crônica familiar sem pretensões, insere aparições sobrenaturais a meio caminho e vai desconstruindo seus personagens aos poucos. Disposta a acompanhar seu marido (James Norton) numa nova etapa em sua vida profissional como professor de faculdade, uma restauradora de arte (Amanda Seyfried) muda-se com ele e a filha pequena para uma cidade suburbana. Sua nova rotina sem conexões e amizades contrasta com a do marido, que ganha espaço no corpo docente e passa a ser muito bem-visto pelo reitor (F. Murray Abraham). A entrada de algumas novas pessoas nesse círculo vai lentamente expondo facetas ocultas do relacionamento. Apesar de parecerem rasas e criadas para movimentar a narrativa, todas as menções a literatura e arte são reais e criam um mar de referências que se perde em meio ao todo. Não é o tipo de trabalho explosivo ou mesmo inquietante, mas a combinação de horror, suspense e tensão sexual nunca deixa de agradar dependendo de como o longa é conduzido. Os méritos pelo interesse na história, no caso, ficam por conta de Norton e Seyfried, que carregam o filme nas costas e mantêm a plateia interessada enquanto as pistas vão sendo expostas ao longo do caminho.