
Visto via Netflix em 13-JAN-2019, Domingo
É fácil acreditar que na comédia dramática de Um Cadáver para Sobreviver nada é o que parece ser, ou que tudo o que se passa na tela está somente na cabeça do protagonista feito por Paul Dano. Isolado numa ilha deserta após um naufrágio, ele está prestes a se suicidar mas desiste do intento quando vê chegar à areia da praia, empurrado pelas ondas, o corpo de um homem. Trata-se de Daniel Radcliffe, já em estado de rigidez cadavérica por estar, claro, morto. A estranheza não demora nada a se inserir na história, pois a seguir o morto começa a soltar tantos gases que o náufrago decide "cavalgá-lo" mar adentro usando suas flatulências até chegar em solo firme, e daí tentar retornar à civilização. Sem fazer questionamentos, o roteiro segue criando um paralelo entre as expectativas de sobrevivência de Dano e os inúmeros usos que ele descobre para o corpo de Radcliffe, que incluem ser uma fonte de água, bússola peniana e catapulta, entre outros (daí o título original que se refere a um canivete suíço humano). Promovido também a confidente com limitada capacidade de dicção, o defunto termina por forçar o rapaz a confrontar seus dilemas interiores, incluindo uma garota pela qual ele estaria apaixonado e um confrontamento que mistura o aspecto surreal do todo a uma perplexidade compartilhada pela plateia com os personagens que surgem na reta final do filme. É para dar nó na cabeça do espectador mesmo. Em tempo: a dupla de protagonistas carrega o longa nas costas e praticamente faz com que ele valha a pena ser assistido.