
Visto via Netflix em 27-MAR-2026, Sexta-feira
Drama intimista de desenvolvimento contemplativo, A Ostra e o Vento começa com a chegada a uma ilha isolada de um grupo de marinheiros liderado por um velho lobo do mar (Fernando Torres). Eles estão bastante preocupados com o desaparecimento dos dois únicos habitantes do lugar, um velho responsável pela manutenção do farol da ilha (Lima Duarte) e sua filha adolescente (Leandra Leal). Enquanto fazem buscas e tentam entender o que aconteceu, a narrativa vai e vem no tempo mostrando a relação de pai e filha com os forasteiros, com especial ênfase à natureza super-protetora do pai, que nunca chegou a deixar que a jovem fosse ao continente. Ao borrar propositalmente a linha que separa o presente do passado, o filme cria uma atmosfera tensa que vai lentamente descortinando as agruras psicológicas sofridas pelos protagonistas, em especial a mocinha e seu atribulado processo de descoberta da sexualidade em meio ao isolamento extremo. Com paisagens belíssimas valorizadas por um excelente trabalho de câmera, o filme é um deleite para os apaixonados pelo mar, pela areia e pelo sentimento de isolamento que o cenário evoca. Todo o elenco está bem, incluindo a estreante Leandra Leal, mas o veterano Fernando Torres confere uma austeridade magnética que sustenta o filme durante a maior parte de seu tempo de projeção.