Cinema

O Amor Não Tira Férias

O Amor Não Tira Férias
Título original: The Holiday
Ano: 2006
País: Estados Unidos
Duração: 138 min.
Gênero: Comédia
Diretor: Nancy Meyers (Simplesmente Complicado, O Estagiário)
Trilha Sonora: Hans Zimmer (Piratas do Caribe - No Fim do Mundo, Os Simpsons - O Filme, Kung Fu Panda)
Elenco: Kate Winslet, Cameron Diaz, Jude Law, Jack Black, Eli Wallach, Rufus Sewell, Edward Burns, Miffy Englefield, Emma Pritchard, Sarah Parish, Shannyn Sossamon, Bill Macy, Shelley Berman, Kathryn Hahn, John Krasinski, Dustin Hoffman, Lindsay Lohan, James Franco
Avaliação: 7

A diretora Nancy Meyers não é nenhum Richard Curtis, mas está se esforçando para chegar lá. No currículo dela só há comédias doces, engraçadas e cada vez mais sérias em seus compromissos com um romantismo mais sutil, maduro e enaltecedor. Em O Amor Tira Férias ela aproveita as diferenças culturais existentes entre Inglaterra e Estados Unidos para esmiuçar as jornadas amorosas de recomeço e, no caminho, prestar uma homenagem à indústria do cinema. E um dos mais perfeitos panos de fundo para histórias do tipo, a época do Natal, é novamente usado como gatilho para as mudanças.

Amanda (Cameron Diaz), um editora de trailers de cinema que mora na ensolarada e bela Los Angeles, acaba de terminar o namoro e está na fossa. Na Inglaterra, a jornalista Iris (Kate Winslet) também está na fossa porque o cara pelo qual ela foi apaixonada durante três anos ficou noivo de outra. Através do milagre de comunicação proporcionado pela Internet, elas combinam de trocar de casas durante duas semanas no período do Natal para esquecer as desilusões. Como não podia deixar de ser, cada uma encontra um novo motivo para continuar assim que chega ao novo continente. Amanda conhece Graham (Jude Law), o charmoso e enigmático irmão de Iris, enquanto Iris se torna amiga de Miles (Jack Black), compositor de cinema e amigo da californiana. Alguma dúvida sobre qual será o final desta história?

Nenhuma dúvida. E, mais uma vez, este é um caso onde não é o destino que conta, e sim a jornada. A escritora e diretora Nancy Meyers tem habilidade evidente para compôr cenários aconchegantes de erros e acertos amorosos, caracterizando muito bem seus personagens e preparando-os para cativar a platéia e surpreendê-la quando necessário. A americana é representada como aquilo que ela é, a moça atirada, independente e impulsiva, que bem lá no fundo guarda um tesouro de ternura à primeira vista inexistente. A inglesa é a fleuma em pessoa, a mulher conservadora que sonha com um príncipe encantado e, através das amizades, acaba encontrando o caminho da felicidade. Estereótipos e clichês se misturam, é claro, mas quando estas duas coisas jamais se misturaram na vida real?

O mais importante é que o filme funciona bem, e bem até demais quando a produção é analisada friamente. Seu tempo de duração, por exemplo, é um pouco excessivo, graças em parte ao tempo demasiado que Cameron Diaz tem em cena e a algumas seqüências intermináveis em que ela luta com seus próprios dilemas. Há outra coisa relacionada à atriz: magérrima, Diaz está muito distante da beleza exibida de forma esplendorosa no início de sua carreira, como na comédia O Máskara (Chuck Russell, 1994). Assim, sobra para a sempre radiante Kate Winslet roubar todas as atenções neste departamento, como se já não bastasse ela ser muito melhor atriz. Outra faceta da qual não gosto muito na escalação do elenco diz respeito a Jack Black. É praticamente impossível dissociar a imagem de comediante do cara, e o roteiro não faz questão alguma de tentar. Jude Law me surpreendeu, uma vez que ele é outro ator do qual nunca fui muito com a cara.

A inserção de uma subtrama bacana que enaltece os valores da era de ouro de Hollywood vem bem a calhar, e ela chega mesmo a ofuscar a interação entre Kate Winslet e Jack Black. Uma grande pérola inserida no meio da história é a gracinha feita com Dustin Hoffman e o filme A Primeira Noite de um Homem (Mike Nichols, 1967). A cena passa em branco para o espectador leigo, mas é extremamente engraçada para os cinéfilos inveterados.

Leve, descompromissado e com um bom astral, o filme realmente merece créditos como uma boa comédia romântica natalina.

Visto no cinema em 7-JAN, Domingo, sala 8 do Multiplex Pantanal - Texto postado por Kollision em 12-JAN-2007