Cinema

Firewall - Segurança em Risco

Firewall - Segurança em Risco
Título original: Firewall
Ano: 2006
País: Estados Unidos
Duração: 105 min.
Gênero: Suspense
Diretor: Richard Loncraine (O Homem que Mudou o Mundo, A Minha Casa na Umbria, Wimbledon - O Jogo do Amor)
Trilha Sonora: Alexandre Desplat (Contratado para Amar, A Rainha, O Despertar de uma Paixão)
Elenco: Harrison Ford, Paul Bettany, Virginia Madsen, Mary Lynn Rajskub, Robert Patrick, Robert Forster, Alan Arkin, Carly Schroeder, Jimmy Bennett, Gail Ann Lewis, Matthew Currie Holmes, Candus Churchill, Kett Turton, Nikolaj Coster-Waldau, Vince Vieluf, Vincent Gale
Avaliação: 7

Quem cresceu assistindo às aventuras de Indiana Jones no cinema e na TV durante a década de 80 tem uma imagem nítida de Harrison Ford como o herói arquetípico, capaz das acrobacias e feitos mais mirabolantes em busca do Santo Graal, da arca perdida ou da liberdade de um bando de criancinhas. É fato que, de lá para cá, o astro envelheceu com dignidade, apesar de seus trabalhos no cinema terem se tornado menos freqüentes. Já sexagenário e sem esconder a idade, ele retorna à ativa neste thriller que lhe dá um papel bastante parecido com várias de suas performances anteriores. E, em se tratando de Ford, pode-se ter certeza que tanto sua presença cênica quanto sua veia de astro de ação ainda estão intactos, contribuindo muito para a eficiência do longa.

O papel da vez é o do gerente de segurança de um banco emergente Jack Stanfield, que inicia o filme no meio de um processo conturbado de fusão de sua empresa com outra companhia, chefiada por um engravatado arrogante (Robert Patrick). Sua vida é subitamente virada de pernas para o ar quando seu amigo Harry (Robert Forster) apresenta-o a um novo executivo (Paul Bettany) que logo se revela um violento assaltante da era moderna: o cara e sua gangue se apoderam da casa e da família de Jack (entre eles a esposa feita por Virginia Madsen), e chantageiam-no para que ele burle o sistema de segurança da própria empresa e roube eletronicamente 100 milhões de dólares do banco. Preso numa terrível arapuca, o gerente tenta de todas as formas salvar sua família da morte certa nas mãos de bandidos cada vez mais violentos.

Bom entretenimento. Essa é a expressão que melhor define o filme de Richard Loncraine, que trouxe para as filmagens o astro de seu filme anterior, Paul Bettany. Por incrível que pareça, Bettany está extremamente à vontade no papel de um ladrão com pinta de terrorista, um lunático sem escrúpulos e alucinado por dinheiro. O pega entre ele e Harrison Ford é cozinhado em banho maria e muita tensão durante o filme inteiro, mas pega fogo (literal e praticamente) na seqüência final, e demonstra que o velho Indiana Jones ainda tem muito fôlego para, talvez, protagonizar o quarto capítulo da série do arqueólogo aventureiro.

Para os padrões hollywoodianos de realizações do tipo, Firewall tem um roteiro até inteligente, com umas surpresas aqui e ali para atiçar a mente da platéia. Sua campanha publicitária tenta capitalizar em cima de um sucesso antigo de Harrison Ford (reparem como o cartaz do filme lembra muito o de O Fugitivo, dirigido por Andrew Davis em 1993), e até a construção geral da história tem o mesmo jeitão deste e de tantos outros filmes onde Ford protagonizou o sujeito comum confrontado por uma situação extraordinária. Sendo esta a fórmula clássica para a estruturação de um roteiro envolvente, a realização decente e meio que padronizada da obra de Richard Loncraine acaba pecando em parte pelos inevitáveis clichês destilados ao longo do filme. Inevitáveis, mas que não desabonam de forma alguma o aspecto do entretenimento.

O deslize maior vem mesmo na última cena do filme, uma inominável e completamente desnecessária ovação à instituição familiar americana, esplendorosa em sua pieguice e, para completar o desastre do take, editada em câmera lenta. Já que era para ser assim, por que não terminar o filme com uma panorâmica aérea se distanciando em direção ao horizonte sem fim? Triste, cinematograficamente falando, o que por muito pouco não nos faz esquecer de toda a história que os conduziu até ali.

Texto postado por Kollision em 24/Março/2006