Cinema

Cannibal Holocaust

Cannibal Holocaust
Título original: Cannibal Holocaust
Ano: 1980
País: Itália
Duração: 95 min.
Gênero: Terror
Diretor: Ruggero Deodato (O Último Mundo Canibal, O Lobo do Deserto, Os Bárbaros)
Trilha Sonora: Riz Ortolani (Advertência [1980], A Casa no Fundo do Parque, O Voyeur)
Elenco: Robert Kerman, Carl Gabriel Yorke, Francesca Ciardi, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Salvatore Basile, Ricardo Fuentes, Paolo Paoloni, Lionello Pio Di Savoia, Luigina Rocchi, Lucia Costantini
Distribuidora do DVD: Platina Filmes
Avaliação: 9/10

Visto em DVD em 26-MAR-2010, Sexta-feira

Tirando talvez o infame Império dos Sentidos (Nagisa Oshima,1980), nenhum outro filme dos anos 80 foi tão controverso quanto Cannibal Holocaust, que finalmente ganhou uma edição nacional em DVD. Como ela não tem sido muito divulgada, cá estou eu fazendo a minha parte!

Um dos mais comentados filmes de horror já realizados, Cannibal Holocaust carrega uma aura de maldito por vários motivos, mas o principal deles é provavelmente o escândalo que se seguiu ao seu lançamento. Preso e acusado de assassinar o elenco principal durante as filmagens, o diretor Ruggero Deodato se viu obrigado a convocá-los perante a corte e quebrar um contrato que os obrigava a permanecer anônimos por no mínimo um ano, com o óbvio objetivo de aumentar a especulação em torno da natureza do filme. Muito adiante de seu tempo, o roteiro envolvia uma equipe de documentaristas norte-americanos que desaparece na selva amazônica ao realizar um trabalho sobre uma tribo de índios canibais. Disposto a encontrá-los, um professor de antropologia (Robert Kerman) decide percorrer o mesmo caminho que eles fizeram, e nos rolos de filme que são então recuperados estão imortalizados os estarrecedores eventos que vitimaram o grupo.

Violento, irrestrito, notoriamente desprovido das amarras sociais vigentes na época e ainda assim realizado com uma competência que o coloca muito acima do nível geral associado às produções de terror de baixo orçamento, Cannibal Holocaust é um filme pesado, destinado a plateias de mente aberta. Tirando o hype criado com o passar dos anos, que obviamente é o fator principal para tanto tabu, o que o torna único é o realismo que Deodato consegue extrair de todo o seu elenco (sem exceção, dos protagonistas aos canibais), assim como o esmero técnico com que ele concebe as cenas de violência e canibalismo/carnificina. Não se enganem e não se deixem levar pelo rótulo trash, pois trata-se de um filme tecnicamente muito bom. Tão bom que levou muita gente a acreditar que o que está nas imagens aconteceu de verdade. O mais impressionante é que a história não envelheceu nada de lá pra cá, e coloca no chinelo muitos longas/dramas de horror feitos hoje em dia. Quando um trabalho de tamanho teor subversivo dá um tapa tão grande na cara da sociedade dita "civilizada", fica difícil não reconhecê-lo como o grande filme que é.

Mais do que as crueldades feitas contra seres humanos, que são obviamente (muito bem) encenadas, o que mais me chocou no filme são as cenas de assassinato de animais. Essas sim são tristes, e por mais que tenhamos a consciência de que diariamente milhares de animais são mortos nas mais diferentes culturas para satisfazer a fome da humanidade, é difícil se distanciar e permanecer impassível diante de coisas como a cena da morte da tartaruga. Diz Ruggero Deodato que se arrependeu de tê-las filmado. Como o DVD nacional traz o filme supostamente sem cortes, está aí a chance para conferir estas e muitas outras passagens que fizeram a fama daquele que é, com certeza, o mais controverso filme cult de horror de todos os tempos.

E não custa avisar: se você se impressiona facilmente, evite.

De extras o disco tem o trecho do mini-documentário (The Last Road to Hell) com cenas de execuções reais filmadas na África e cinco trailers distintos para o filme.

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